Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Querido Jesus, talvez Caim e Abel não se matassem tanto se tivessem um quarto pra cada um.

Resolvi falar sobre algo que nunca tive muita coragem de falar, a perda. Perder já é ruim, perder alguém é pior ainda. Não estou me referindo exclusivamente à morte, mas a qualquer tipo de perda. E às vezes não acreditar em Deus torna as coisas um pouco menos aceitáveis, dá vontade de acreditar, mas é demais pra mim, tenho que assumir. Uma vez recebi um email com mensagens que crianças italianas enviaram ao menino Jesus, que é mais famoso que o papai noel por lá, uma delas disse assim: "Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, por que você não fica com as que já tem?". Alguém tem algum argumento contra isso? Eu ainda acrescentaria os animais! Essa frase resumiu tudo que eu senti quando perdi meu cachorro e outra(s) pessoa(s). Essa criança italiana disse tudo que eu gostaria de dizer se por algum acaso, em vida, eu encontrasse Jesus ou Deus ou seja lá qual for o nome... Queria voltar a ser criança pra não entender algumas coisas e entender melhor outras... E dizer mais do que isso seria traição comigo mesma.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Danser les morts

Eu choro vendo filmes, novelas, desenho animado, comédias românticas e até comercial. Como diria um grande amigo sou uma pessoa que "chora até em largada de rali", o que é quase verdade... Talvez a neurociência explique, mas eu não gosto muito de explicações científicas quando meu choro é purificador ou uma puta válvula de escape pras tensões da vida, que muitas vezes não são suficientes pra iniciar um choro gritado daqueles de ficar agonizando na cama até as lágrimas secarem e o nariz se recusar a inspirar um pouco de oxigênio. Mas aí eu vejo um filme e lembro da merda que a vida consegue ser de vez em quando, dos problemas pequenos e dos grandes, das saudades e eu choro como se aquilo tudo fosse real, como se eu estivesse lá sofrendo de câncer ou de culpa. É a explicação pro inexplicável, se colocar no lugar do outro e chorar de soluçar enquanto o mundo continua o mesmo e meus problemas continuam do mesmo tamanho. E quando digo problemas eu incluo todos eles: os reais, os inventados e as coisas que não são exatamente problemas, mas que eventualmente me deixam triste. As mulheres são seres inacreditáveis, desde cobras venenosas até a mais doce das criaturas, nossa "raça" inclui tudo o que está entre essas duas e algumas vezes numa só mulher dá pra encontrar tudo isso, é raro, mas existe como las brujas. Uma de nossas especialidades, e isso é confirmado cientificamente, é a capacidade de se colocar no lugar do outro e chorar durante horas e quando ouve a trilha sonora do filme chora de novo. Nós somos especiais desde o útero, algumas no ótimo sentido da palavra e outras no péssimo, de novo têm-se todos os níveis e, de novo, em alguns pacotes defeituosos eles coexistem. Mas o melhor de tudo, o que realmente me faz chorar, são os finais felizes, na vida real nenhum final é feliz porque normalmente a vida acaba em morte e eu não acho isso nada feliz. Acontece que lá dentro, lá no fundo, eu espero essa felicidade derradeira, não sei exatamente que final é esse, mas a felicidade é... Hum... A verdadeira felicidade... Talvez a esperança seja essa - encontrar a verdadeira felicidade. E talvez o choro venha daí, de saber que nenhum final é exatamente feliz, só os dos filmes e novelas e desenhos animados e comerciais...

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Godfather

Quantas vezes por dia alguém pensa em deus e no diabo? Fazem contagem até de quantos rolos de papel higiênico uma pessoa usa durante a vida, mas ninguém se pergunta quantas vezes duvidamos das nossas crenças ou mudamos de opinião, deve ser porque são tantas vezes que não tem motivo para contá-las ou porque ninguém tá interessado no que as pessoas pensam e sim no que elas fazem, comem, colocam pra fora, no que elas usam, quanto gasta, quanto ganha... Todo mundo tem seus valores, princípios, crenças, verdades, segredos e são poucas as vezes que isso aparece nas atitudes, fica guardado e muito bem guardado nas profundezas, no âmago do ser ou na puta que o pariu. Dizem que o corpo fala, mas fala a verdade? Ou só fala quando o assunto é sexo? Grandes bosta... Eu tava pensando cá com meus botões, se acreditar em deus implica em acreditar no capeta, prefiro não acreditar em nada, pelo visto o cão tá ganhando o campeonato do milênio. Se todas as pessoas ruins têm o diabo no corpo, haja diabo! E acho que depois do meu encontro com Don Corleone devo chamar a benzedeira!

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Damascos

Eu nunca quis fazer muito sentido, eu queria ser chata quando era pequena, queria nada, eu era mesmo muito chata! Eu não tinha motivo nenhum pra ser assim, mas eu decidi que ia ser daquele jeito. Aí as coisas foram diminuindo e eu fui crescendo, crescendo só um pouco. O dia que percebi que a maioria das coisas não eram tão grandes quanto pareciam quando eu tinha 5 anos de idade fiquei triste. Quando vi que o maior obstáculo, o "mais maior de grande" de todos, era uma rampinha que se subia em segundos, só precisava de 3 passos grandes eu quis chorar, fiquei pensando onde ia arranjar outro obstáculo tão poderoso... É claro que em pouco tempo apareceu um obstáculo maior, outro ainda maior, um ainda "mais maior de grande" e outro que ainda não sei o que fazer com ele, mas isso não importa! Quero dizer que a vida é sempre muito "mais maior de grande", muito mais louca do que eu imaginava, é tudo muito esquisito e eu já não faço sentido, de novo! A questão é que não tem questão, a gente vai vivendo um monte de dias de cada vez, umas pessoas se importam com umas coisas e outras se importam com outras coisas, mas a verdade é que ninguém sabe muito bem o que fazer com essa dádiva, pelo menos é o que parece na maior parte do tempo, sempre que observo as pessoas penso que os pássaros sabem muito mais o que fazer do que a gente. Nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Tudo seria mais simples sem as entrelinhas ou com menos neurônios! E o mais legal é que agora eu tenho um cachorro que canta Elvis só pra mim. Only You em particular é muito mais verdadeira!

Terça-feira, Agosto 25, 2009

Carlos Charles, A lenda

Carlos Charles nasceu assim, meio sem querer, diz a mãe que não se lembra de nada só do menino nascendo. Era um bebê assim, meio querido, meio bonito, meio escuro. Era totalmente negro, mas era assim que a mãe dele lembrava. Não gostaria de distorcer os fatos, seria injusto. O nome ninguém sabe de onde veio, a velha era meio louca, falava sem pensar e assim surgiu Carlos Charles, A lenda ou meio lenda. Nessa história tudo é meio porque me contaram assim, pelos meios e ainda não sei o fim. A vida dele também era meio, meio chata, meio parada, meio estranha e o trabalho era meio ilegal. O que lhe interessava, pra manter o clichê das lendas modernas, era o dinheiro, se pagassem nem parecia muito ilegal, bastava pra mantê-lo ativo. Andava sempre muito sujo, dessa vez o meio não coube, foi assim que o vi pela primeira e última vez, não posso mentir.
Como conheci C. C. ? Ele invadiu minha casa e me entregou uma sacola de papel muito suja, olhei o conteúdo, era uma faca e roupas sujas de sangue, as roupas eram dele, a faca era do crime. Me entregou essa merda e disse: "Não mostra pra ninguém, não fale pra ninguém, ninguém pode saber!"
Sem entender, sem saber nada, fiquei parada com o pacote, não sei nem quem ele matou, se é que matou alguém e eu disse: "Me fala o seu nome, preciso saber seu nome, qual é seu nome?"
Ele foi saindo meio sem jeito, fechando a porta, segurei e perguntei de novo o nome da lenda e ele disse, meio tímido: "É Carlos Charles" e foi embora.
Nunca mais vi, não tive notícia, queimei a sacola e as roupas, joguei a faca no lago e pelo que consta, Carlos Charles, A lenda, nunca foi punido se é que deveria ser.

Domingo, Junho 21, 2009

Tomorrow comes easy

Domingo de manhã saí pra caçar rã... Hahaha! Brincadeira...

Domingo de manhã ele escreveu toda sua vida num guardanapo, sem brincadeira, escreveu tudo, desde sua primeira lembrança até a última e a letra nem era tão miúda, mas coube num guardanapo de boteco. Ele não sabia ao certo por que nem pra que tinha escrito aquelas coisas, aí resolveu colocar num envelope amarelo que quase não coube o endereço do destinatário, grande ironia, bem filha da puta eu diria, mas ele só achava grande. Ela recebeu o envelope amarelo e ficou achando estranho porque não havia remetente, abriu pensando se não tinha nenhum pó misterioso, uma bomba não cabia lá dentro, mas pó sim. Pegou o guardanapo, leu e releu muitas vezes pra tentar entender, na verdade ela tinha entendido muito bem, só gostou de ler aquela história sobre a vida dela ou a vida que costumava ter, porque ele havia ido embora há tempos, mas aquela vida era boa e cabia num guardanapo.

- Recebi uma carta estranha, acho que não dá nem pra chamar de carta, nem remetente tinha...
- O que tava escrito?
- Ah, era engraçada, veio num envelope amarelo achei que era algum atentado terrorista com aqueles pós esquisitos, mas era uma vida escrita num guardanapo.
- Uma vida?
- É ou pelo menos as lembranças de uma. Sabe, me encheu de saudade, me lembrei de muita coisa, essa vida que cabe num guardanapo me deixou calma e feliz. Esquisito, né?
- Não acho. Só vejo uma grande ironia. Sem falar que não era nada do que você achava, não era pó, não era bomba, não era carta e não tinha remetente, não era nada.
- A grande ironia é essa, não era nada?
- Não, a grande é outra, mas você pode usar essa...

E ele pensou: "Quando tiver mais tempo escrevo o resto..."

Terça-feira, Maio 05, 2009

Sensitivo

É engraçado como às vezes pensamentos mórbidos invadem a mente, em 90% dos casos eu tento espantá-los, dou-lhes alguns tapas e pronto. Outros 5% são rápidos demais ou atropelados por pensamentos ensolarados. Mas esses outros, esses últimos 5% simplesmente são alimentados, com um toque de inocência e um toque de sadismo e mais um toque de masoquismo. Não que eu vá concretizá-los algum dia, que isso fique bem claro! Outro dia eu tava levando meu cachorro ao veterinário e vi dois policiais num jogging marrento, parecia que eles não tinham vontade nenhuma, mas necessitavam daquilo.
Aí eu pensei: Qual dos dois é corrupto? O da esquerda tem cara de canalha e o da direita tem cara de... Pai. Talvez os dois sejam honestos... Quem disse que canalhas não são honestos? E se eu atropelasse o mais corrupto (se os dois forem corruptos)? Acho que eu escolheria o corrupto que tivesse matado um inocente, mas a possibilidade de um policial matar um inocente é quase nula, todos nós temos nossos pequenos ou grandes crimes... Temos? Eu seria presa sem um motivo aparente pra matar um policial em pleno jogging... Posso dizer que perdi o controle do carro quando passei por esses buracos... Diriam que eu estava correndo... Posso dizer que o controle do som caiu e quando fui pegar: PLOCKT atropelei o coitado... Homicídio doloso ou culposo, qual dos dois eu prefiro? Eita, esqueci que tenho um cachorro no banco de trás, posso dizer que ele... Sei lá... Ele tentou passar pro banco da frente e PLOCKT atropelei o desgracento... Homicídio! Eu não quero ir pra cadeia, também não quero o poder divino do julgamento correto, nem quero matar alguém por ter confiado num pensamento macabro, eu não quero matar alguém por motivo algum! Sai pensamento ruim! Xô, xô!
E num último suspiro desse pensamento esquisito eu pensei: Ok seu policial eu deixo você ter mais alguns dias de vida, mas não cruze meu caminho outra vez! Arreda trem ruim, chispa, segue teu rumo, vai pro arquivo morto! Não, arquivo morto não, vai pro lixo e nunca mais apareça! E foi embora... Foi?
Agora me veio um pensamento: acho que não devo publicar isso...